*Nota atualizada às 15h39
O Brasil chega aos Jogos de Inverno Milão-Cortina 2026 com sua maior delegação da história. Serão oito atletas em ação em três modalidades: o esqui cross-country, o snowboard e o biatlo.
A dois dias do início do megaevento paradesportivo, os esportistas brasileiros já estão em solo italiano, onde finalizam a preparação para a principal competição do ciclo de inverno. Enquanto isso, a atenção do público que acompanha o movimento paralímpico se volta para as modalidades nas quais o país buscará medalhas.
Esqui cross-country
O esqui cross-country integra o programa paralímpico desde a primeira edição dos Jogos de Inverno, realizada em Örnsköldsvik, na Suécia, em 1976. A modalidade reúne atletas com deficiência física ou visual em provas de curta, média e longa distância, disputadas em percursos com subidas e descidas que exigem resistência, técnica e estratégia. Nas partes mais íngremes, os competidores podem atingir velocidades próximas a 40 km/h.
Os atletas competem em diferentes classes funcionais. Dependendo da condição física, podem utilizar o sit-ski, equipamento adaptado que consiste em um assento fixado sobre esquis. Já os competidores com deficiência visual disputam as provas acompanhados por um atleta-guia (nas classes B2 e B3, o uso do guia é opcional). Embora as classes sejam distintas, todos concorrem às mesmas medalhas em cada prova. Para garantir equilíbrio, é aplicado um sistema de correção de tempo conforme a classe funcional do atleta.
Nas provas de longa distância, a largada é individual, em intervalos determinados. Após a conclusão da disputa, os tempos passam pelos já citados ajustes e, só então, são definidos os medalhistas.
Ao longo da história da modalidade, um dos grandes destaques é a norueguesa Ragnhild Myklebust, maior vencedora dos Jogos Paralímpicos de Inverno, com 16 medalhas de ouro conquistadas entre 1988 e 2002.
Em Milão-Cortina 2026, o Brasil será representado por seis atletas no esqui cross-country: os paulistas Wellington da Silva, Elena Sena e Guilherme Cruz Rocha, a paranaense Aline Rocha, o rondoniense Cristian Ribera e o paraibano Robelson Lula.
Snowboard
Mais recente no programa paralímpico, o snowboard começou a se desenvolver internacionalmente em 2005. A modalidade estreou nos Jogos de Sochi 2014, após ser incluída no programa em 2012. Inicialmente, as medalhas foram disputadas em duas classes: UL (atletas com deficiência nos membros superiores) e LL (membros inferiores).
Após a edição de 2014, o sistema de classificação foi aprimorado. A classe LL foi dividida em LL1, destinada a atletas com deficiência significativa em uma perna, como amputação acima do joelho, ou comprometimento em ambas e LL2, para competidores com menor limitação funcional. A classe UL permaneceu inalterada.
Atualmente, o snowboard paralímpico é disputado em duas disciplinas. No snowboard cross (SBX), os atletas realizam descidas em pistas com saltos e obstáculos. Após a fase classificatória, os melhores avançam para confrontos eliminatórios no formato “head-to-head”, até a definição do campeão.
Já no banked slalom (BSL), cada competidor faz três descidas em um percurso com curvas acentuadas e obstáculos. Vence quem registrar o menor tempo entre as tentativas.
Para esta edição dos Jogos, o Brasil contará com dois representantes no snowboard, ambos gaúchos: Vitória Machado e André Barbieri. Esta será a segunda vez que André defenderá o país nos Jogos de Inverno. Já a participação de Vitória marca a estreia brasileira na modalidade entre as mulheres.
Biatlo
O biatlo combina dois esportes de inverno, onde os atletas competem em três categorias: deficiência visual, em pé e sentado, alternando entre esquiar em uma trilha de cross-country e atirar em alvos localizados a 10m de distância.
A modalidade teve estreia nos Jogos Paralímpicos de Inverno de Innsbruck, na Áustria, em 1988, com atletas competindo em pé. Quatro anos depois, em Tignes-Albertville, em 1992, atletas com deficiência visual também foram incluídos. A participação feminina, no entanto, só começou na programação do ano de 1994, nos Jogos de Lillehammer.
As provas do biatlo incluem sprint, meio-fundo, perseguição e individuais, e acontecem em um percurso de 2 km ou 2,5 km, percorrido três ou cinco vezes em estilo livre, totalizando uma distância entre 7,5 e 12,5 km. Entre as etapas de esqui, os atletas devem parar no estande de tiro e acertar cinco alvos localizados a uma distância de 10 m. Para cada alvo errado, uma penalidade de um minuto ou uma volta de penalidade deve ser percorrida imediatamente após sair do estande de tiro.
O vencedor é determinado pelo atleta que completa a competição com o menor tempo geral.
Atletas com deficiência visual são auxiliados por sinais acústicos no tiro, que, dependendo da intensidade do sinal, indicam quando o atleta está no alvo.
Os atletas atiram deitados; no entanto, alguns esquiadores sentados podem atirar sentados se não conseguirem atirar deitados devido a alguma deficiência.
Quatro atletas brasileiros competem no biatlo sentado em Milão-Cortina 2026: a paranaense Aline Rocha, os paulistas Elena Sena e Guilherme Rocha e o paraibano Robelson Lula.
*Com informações do Comitê Paralímpico Internacional (IPC).
Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível
Os atletas Guilherme Cruz Rocha e Robelson Lula são integrantes do Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias Caixa e da Caixa que beneficia 148 atletas.
Time São Paulo
Os atletas Wellington da Silva, Aline Rocha, Cristian Ribera e Elena Sena integram o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 155 atletas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)













