A jogadora de vôlei sentado Monalisa Cristina, 37, tornou-se campeã parasul-americana da modalidade nesta quarta-feira, 8, a menos de seis meses do início de seus treinamentos regulares na modalidade e dois anos após o acidente de carro que levou à amputação de sua perna esquerda.
O título veio nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026, na Colômbia, com uma vitória por 3 sets a 0 sobre o Peru em uma campanha na qual a Seleção Brasileira não perdeu nem sequer um set.
“Fiquei incrédula quando recebi a convocação. Por ter recebido essa convocação sendo tão nova na modalidade, decidi que iria dar minha vida nesta competição. Agora eu me sinto muito vitoriosa de estar aqui, com muita sede e muita vontade de estar com a Seleção. Agora eu quero é saber de mais pódios”, comemorou a atleta.
O acidente de automóvel que levou Monalisa a se tornar uma pessoa com deficiência aconteceu em julho de 2024, no caminho entre sua casa e o trabalho como auxiliar de Recursos Humanos. À época, ela morava em Mococa, sua cidade natal, no interior de São Paulo, e trabalhava em São José do Rio Pardo.
A descoberta do vôlei sentado veio pouco mais de um ano depois, quando um amigo a convidou para fazer um teste no Sesi-SP. Após despertar interesse dos treinadores, participou do Campeonato Brasileiro da modalidade, e ficou uma semana junto da Seleção Brasileira de base para ser observada.
Logo veio a decisão de começar a treinar de fato na modalidade, o que envolveu uma mudança para Suzano, na Grande São Paulo, para fazer parte da equipe do Sesi-SP. No mesmo mês, Monalisa recebeu um convite para uma semana de treinamento, agora com a Seleção Brasileira principal.
Apesar do destaque que vem conquistando rapidamente, Monalisa disse que ainda não esperava uma convocação para participar de uma competição internacional. Antes de Valledupar 2026, ela havia participado de uma etapa de Copa do Mundo nos Estados Unidos.
Antes de passar a ter uma deficiência, Monalisa praticava crossfit e musculação. O gosto pelo vôlei vinha dos tempos do colégio. “Eu tinha uma boa noção das regras da modalidade, o que ainda é novidade para mim e estou aprimorando é a técnica do deslocamento no vôlei sentado. É desafiador, mas estou tendo uma evolução que acredito ser muito boa”, analisou.
Segundo a atleta, o esporte foi fundamental para que ela percebesse seu potencial como pessoa com deficiência.
“Quando eu sofri o acidente, eu achei que minha vida tinha acabado ali. Conhecer o esporte paralímpico me deu uma luz, mostrou que eu ainda posso fazer muitas coisas. Eu me sinto muito privilegiada de poder representar meu país depois de tudo o que eu passei”, afirmou.
Jogos Parasul-Americanos
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 com 237 atletas de 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo), dois goleiros (futebol de cegos) e dois calheiros (bocha).
Este é o primeiro evento multimodalidade com a participação brasileira dentro do ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos. Na edição anterior dos Jogos, o país ficou com um histórico quinto lugar no quadro geral de medalhas, após conquistar 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes.
O Brasil participa do evento com uma delegação formada por atletas de 26 estados e do Distrito Federal que une experiência e juventude, com 131 homens e 106 mulheres.
Por um lado, são 50 atletas que já conquistaram medalhas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em edições dos Jogos Paralímpicos entre os convocados para competir na Colômbia. Por outro, o grupo conta com 80 atletas que terão no máximo 23 anos na data de início da competição.
Os primeiros Jogos Parasul-Americanos foram realizados em 2014, em Santiago, no Chile. Mais de 580 atletas de oito países competiram em sete modalidades. Na ocasião, o Brasil terminou em segundo no quadro geral de medalhas, com 104 pódios conquistados, atrás apenas da Argentina.
Uma segunda edição do evento chegou a ser prevista para 2018 em Buenos Aires, na Argentina, mas foi cancelada por questões financeiras.
Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais do vôlei sentado.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












