O nadador paulista Samuel Oliveira, 20, o “Samuka”, disputará o Mundial de natação de Singapura, de 21 a 27 de setembro, embalado por dois ouros em sua prova favorita, os 50m borboleta da classe S5 (comprometimento físico-motor), nas últimas duas edições do campeonato.
Sua primeira vitória veio na Ilha da Madeira, em 2022, logo em sua estreia em um Mundial. Aquela edição, porém, não contava com os principais adversários que ele teria no futuro: o trio de chineses Jincheng Guo, Weiyi Yuan e Wang Lichao .
Isso tornou o ouro em Manchester 2023 ainda mais expressivo. Na ocasião, Samuka completou a prova em 31s21, à frente de Jincheng Guo com a prata (31s53), e Weiyi Yuan com o bronze (31s58).
No ano seguinte, nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, por outro lado, Samuka foi superado pelos chineses na revanche dos 50m borboleta. Completou a prova em 32s33 e encerrou a disputa na quarta colocação. Saiu da França com um bronze, no revezamento 4×50 livre 20 pontos.
“Em Manchester, eu estava na minha melhor performance física e mental, vindo de treinos muito bons. No ano seguinte, meus adversários vieram com tudo nos Jogos de Paris e não consegui uma medalha. Imagino que vai ser difícil novamente, mas não vou me abalar. Vou dar meu melhor para buscar o tricampeonato”, disse.
Samuka avaliou que sua preparação para Singapura está melhor do que a realizada para Paris. Entre as mudanças, o atleta representante do Praia Clube, de Uberlândia, voltou a viver em São Paulo no início de 2025 e passou a treinar no Centro de Treinamento Paralímpico. Com isso, pode ficar mais próximo de sua família, o que ele acredita ajudar em sua preparação psicológica.
“Em 2024 deixei a ansiedade subir à cabeça. Acabei descontando na alimentação e saí um pouco da minha forma física ideal. Já neste ano, em três meses no CT cheguei na melhor forma que já tive. Estou confiante e preparado”, afirmou.
Outras provas
Ao todo, Samuka tem sete medalhas obtidas nas duas edições de Mundial que disputou.
Além de defender seu bicampeonato, Samuka chega à Singapura com o objetivo de ampliar sua coleção de medalhas nas demais disputas. “Quem acompanhar o Mundial deve ficar atento as minhas outras provas. Estou treinando muito os 200m medley, os 50m livre e os 50m costas. Vou nadar praticamente todos os dias e quero dar meu melhor em todas as oportunidades”, afirmou o atleta, que foi submetido à amputação dos dois braços, na altura do ombro, após levar uma descarga elétrica de 13 mil volts ao tentar tirar uma pipa de uma árvore com uma barra de ferro e ter encostado nos fios de alta tensão de um poste que estava próximo.
A opção por investir em todas essas disputas nos treinamentos já levou a bons resultados. Em junho, Samuka derrubou uma marca que pertencia há nove anos a Daniel Dias, maior medalhista paralímpico da história do Brasil, ao finalizar os 50m costas em 33s42. Atualmente, Samuka ocupa a primeira colocação no ranking mundial da prova em 2025, que ainda não conta com marcas dos adversários chineses.
Brasil em Singapura
A delegação do país conta com 29 nadadores, 16 homens e 13 mulheres, oriundos de sete estados (MG, PA, PE, PR, RJ, SC e SP). São Paulo, com dez convocados, é o estado com o maior número de nadadores.
O grupo é formado pelos 24 nadadores que atingiram índices estipulados pelo CPB em três oportunidades: o Circuito Paralímpico – Fase Seletiva e a Primeira Etapa Nacional do Circuito Paralímpico Loterias Caixa, em São Paulo, no Centro de Treinamento Paralímpico; e o World Series de Guadalajara, no México.
Outros cinco nadadores foram convocados por terem o Índice Mínimo de Qualificação (MQS, nasigla em inglês) do Mundial e também apresentarem as melhores marcas para formar equipes de revezamentos.
A melhor campanha do Brasil na história dos Mundiais de natação paralímpica foi registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, em 2022. O país encerrou a disputa com 53 medalhas, 19 de ouro, 10 de prata e 24 de bronze. Com isso, ficou na terceira colocação do quadro de medalhas do evento, somente atrás de Estados Unidos e Itália.
No último Mundial da modalidade, Manchester 2023, o país subiu 46 vezes ao pódio, conquistando 16 medalhas de ouro, 11 de prata e 19 de bronze. Os pódios deixaram o Brasil na quarta colocação no quadro de medalhas, atrás de Itália, Ucrânia e China, superando a anfitriã Grã-Bretanha em uma disputa acirrada até a última prova da competição.
Desde o primeiro dos Mundiais de natação, em Malta, em 1994, o Brasil já conquistou 296 medalhas, sendo 114 ouros, 73 pratas e 107 bronzes.
Confira as medalhas de Samuka em mundiais
Manchester 2023
Ouro
50m borboleta
Bronze
50m livre
Ilha da Madeira
ouro
50m costas
50m borboleta
revezamento 4x50m livre
Prata
50m livre
200m medley
Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação.
Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível
O atleta Samuel Oliveira Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias Caixa e da Caixa que beneficia 148 atletas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












