A pernambucana Carol Santiago tornou-se a maior campeã paralímpica brasileira da história nos Jogos de Paris 2024. Ao final do evento, ela acumulava dez medalhas, sendo seis ouros, três pratas e um bronze, conquistadas em duas edições do megaevento. Também é a maior medalhista em mundiais da delegação que representará o Brasil no Mundial de Singapura, de 21 a 27 de setembro, com 19 pódios (13 ouros, quatro pratas e dois bronzes).
A atleta da classe S12 (baixa visão), que costuma ser líder entre os que mais sobem aos pódios nas competições que participa, adotará na Ásia uma nova estratégia. Serão menos provas disputadas para concentrar o treino em menos estilos e buscar marcas ainda melhores do que aquelas que a nadadora já alcançou.
A pernambucana nadou seis provas individuais em Manchester 2023, por exemplo. Já neste ano irá se dedicar apenas a três, aquelas em que foi medalhista de ouro nos Jogos Paralímpicos de Paris: 50m livre, 100m livre e 100m costas. Com isso, irá buscar o tetracampeonato mundial nas duas primeiras provas (nas quais segue invicta em mundiais) e o tricampeonato na terceira.
“Eu consigo nadar todos os estilos e poderia fazer muitas provas. Mas é muito difícil ter a qualidade de treinamento que eu preciso dando atenção a todos eles. A ideia foi ficar especialista em menos estilos e passar todas as etapas do treinamento em detalhe para construir uma boa prova”, explicou a nadadora.
Sonhos
Mesmo com todas as suas conquistas, Carol, 40, contou que nem todos os seus sonhos já foram vividos no esporte. “Meu grande objetivo é bater um recorde mundial durante a disputa dos Jogos Paralímpicos, algo que ainda não aconteceu. Quando decidi iniciar mais um ciclo, agora pensando nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, foi para alcançar essa meta”, afirmou a atleta.
Antes de decidir por seguir nas piscinas, Carol precisou entender como equilibrar suas ambições no esporte com outro sonho, a maternidade. “Quando você termina os Jogos, precisa pensar se vai ou não vai seguir até os próximos,o que exige um comprometimento de mais quatro anos. Foi um momento difícil para mim, porque tenho o o sonho de ser mãe e está ficando cada vez mais tarde. Parei para cuidar disso, passei por um processo de congelamento de óvulos que mexeu muito com meu físico”, contou.
Carol disse estar retomando com sucesso sua forma do auge dos Jogos de 2024. “Eu estou me sentindo bem neste recomeço e estou aproveitando ao máximo este início de ciclo. Já sinto que estou colhendo os frutos de toda a dedicação neste retorno”, afirmou.
A pernambucana é dona do recorde mundial nos 50m livre, 26s61 marcados na etapa de junho de 2024 do World Series de Berlim, na Alemanha. Em 2025, nadou em um tempo bem próximo a este, 26s65 na Seletiva realizada no Centro de Treinamento Paralímpico em maio.
Brasil em Singapura
A delegação do país conta com 29 nadadores, 16 homens e 13 mulheres, oriundos de sete estados (MG, PA, PE, PR, RJ, SC e SP). São Paulo, com dez convocados, é o estado com o maior número de nadadores.
O grupo é formado pelos 24 nadadores que atingiram índices estipulados pelo CPB em três oportunidades: o Circuito Paralímpico – Fase Seletiva e a Primeira Etapa Nacional do Circuito Paralímpico Loterias Caixa, em São Paulo, no Centro de Treinamento Paralímpico; e o World Series de Guadalajara, no México.
Outros cinco nadadores foram convocados por terem o Índice Mínimo de Qualificação (MQS, nasigla em inglês) do Mundial e também apresentarem as melhores marcas para formar equipes de revezamentos.
A melhor campanha do Brasil na história dos Mundiais de natação paralímpica foi registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, em 2022. O país encerrou a disputa com 53 medalhas, 19 de ouro, 10 de prata e 24 de bronze. Com isso, ficou na terceira colocação do quadro de medalhas do evento, somente atrás de Estados Unidos e Itália.
No último Mundial da modalidade, Manchester 2023, o país subiu 46 vezes ao pódio, conquistando 16 medalhas de ouro, 11 de prata e 19 de bronze. Os pódios deixaram o Brasil na quarta colocação no quadro de medalhas, atrás de Itália, Ucrânia e China, superando a anfitriã Grã-Bretanha em uma disputa acirrada até a última prova da competição.
Desde o primeiro dos Mundiais de natação, em Malta, em 1994, o Brasil já conquistou 296 medalhas, sendo 114 ouros, 73 pratas e 107 bronzes.
Confira as medalhas de Carol Santiago em mundiais:
Manchester 2023
Ouro
100m costas
100m borboleta
100m livre
50m livre
revezamento 4x100m medley
Prata
100m peito
Bronze
200m medley
revezamento 4x100m medley no Mundial de Manchester 2023
Ilha da Madeira 2022
Ouro
100m borboleta
100m peito
50m livre
100m livre
revezamento 4x100m livre
revezamento 4x100m medley
Prata
100m costas
Londres 2019
Ouro
50m livre
100m livre
Prata
100m costas
revezamento 4x100m livre 49 pontos
Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












