O jovem maranhense Paulo Vitor Pinheiro, 19, é um dos quatro jogadores da Seleção Brasileira de futebol de cegos que estão em busca do bicampeonato nos Jogos Parapan-Americanos de Jovens, que acontecem em Santiago, no Chile, até o próximo domingo, 9. Nesta quinta-feira, 6, o ala defensivo participou da vitória por 1 a 0 sobre o Peru, resultado que classificou a equipe brasileira às semifinais da competição.
Paulo Vitor faz parte das categorias de base da Seleção Brasileira da modalidade desde os 11 anos, quando começou a atuar pela equipe nacional sub-15.
O atleta, que teve diagnosticado um glaucoma ainda na infância, já tem um histórico de conquistas marcantes: medalhista de ouro no Parapan de Bogotá 2023, na Colômbia, ele soma ainda duas medalhas de ouro com a Seleção principal no Grand Prix da França, conquistadas em 2022 e 2023, além de um bronze obtido na edição de 2024 do mesmo torneio.
A história do jovem maranhense, no entanto, reúne também vitórias fora das quatro linhas. Criado em uma família com outros irmãos e em meio a dificuldades econômicas, o atleta nasceu em um contexto de vulnerabilidade social e encontrou no futebol de cegos um novo caminho para a sua vida.
“Tive a infância um pouco sofrida, morava em uma favela lá de São Luís. Via coisas que, naquela época, a gente normalizava, mas que hoje sabemos que eram erradas. Mas a bola me proporcionou outro Paulo Vitor. Se não fosse o futebol de cegos, não sei te dizer onde eu estaria hoje”, afirmou o camisa 5 da Seleção de jovens.
“Um dia, estava jogando futebol sozinho em uma quadra da Escola de Cegos do Maranhão [ESCEMA], quando o professor Daniel me chamou para treinar com o time principal. Ali, começou a mudar a minha trajetória, tinha uns 12 anos. Meu sonho é disputar um Mundial e os Jogos Paralímpicos”, completou
As suas atuações em campeonatos regionais do Nordeste e até nacionalmente chamaram a atenção do então técnico da Seleção Brasileira adulta da modalidade, o paraibano Fábio Vasconcelos, multicampeão paralímpico no futebol de cegos como atleta (era goleiro) e como treinador.
O convite para se mudar para João Pessoa (PB) foi questão de tempo. Aos 16 anos, mudou-se de São Luís (MA) e hoje joga pela Associação Paraibana de Cegos (APACE) em campeonatos nacionais de futebol de cegos.
“É bom já ter essa experiência internacional. Ajuda a chegar com menos ansiedade em competições como essa. E, ajuda muito já ter jogado com astros como Nonato, Jefinho, Ricardinho e o Cássio, de quem eu sou muito fã já que eu jogo na mesma posição que ele. Eles me inspiram muito”, finalizou.
Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais do futebol de cegos.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












