O Campeonato Brasileiro Loterias Caixa de Jovens de natação, realizado neste final de semana, dias 18 e 19, teve entre seus destaques a participação da paulista Alessandra Oliveira, campeã e recordista mundial dos 100m peito SB4 (comprometimento físico-motor), com seu segundo melhor tempo na carreira logo no retorno às competições após suas conquistas no Mundial de Singapura 2025.
O evento, realizado no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, contou com 205 atletas divididos em três categorias: sub-17, sub-19 e sub-21.
Alessandra, 17, nadou os 100m peito em 1min43s70, pouco acima do tempo de 1min43s21 obtido em Singapura em setembro que lhe garantiu o primeiro título e o primeiro recorde mundial da carreira.
A marca deste domingo é a segunda melhor já feita pela atleta, representante da AAF Nauru. Antes de competir na Ásia, Alessandra havia obtido um recorde das Américas, também em setembro, na Segunda Etapa Nacional do Circuito Loterias Caixa de natação, ao completar a prova em 1min44s29.
“Fiz questão de estar neste Brasileiro e conversei sobre isso com minha comissão técnica. Gosto muito de participar das competições para jovens. Toda competição é importante e muito gratificante. Fiquei até um pouco nervosa no bloco para dar o meu melhor e seguir mostrando uma boa performance, principalmente após um período de férias, longe das piscinas. Eu vim da Seleção de Jovens e me tornei a atleta que sou hoje passando por competições aqui que mostram para os mais novos do país todo como é uma piscina oficial, igual as melhores que encontramos lá fora”, disse a nadadora, cria da Escola Paralímpica de Esportes, projeto de iniciação esportiva gratuita do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).
Para ter uma boa performance no Brasileiro, Alessandra reduziu suas férias após Singapura, de duas para apenas uma semana. “Fizemos tudo o que eu faço para as principais competições internacionais, incluindo treino de fundamento, técnica, ritmo, tudo forte novamente”, explicou.
Aspirantes
O Brasileiro Loterias Caixa de Jovens ainda contou com atletas que estiveram atentos ao Mundial de Singapura no último mês e buscam melhorar suas marcas para chegarem à Seleção nas próximas missões.
O paulista Nicolas Silvestre França, 19, da AAF Nauru, melhorou seu desempenho nos 100m peito SB7 (comprometimento físico-motor) ao completar a prova em 1min31s22.
“Foi uma prova muito boa. Fazia um tempo que não nadava ela e tive um resultado muito bom. Quero seguir me desenvolvendo para chegar até o final do ano, no Campeonato Brasileiro Loterias Caixa adulto, com uma marca que me coloque em nível internacional. Assisti ao Mundial e vi atletas que me inspiram muito e espero em breve estar ao lado deles”, afirmou.
O atleta, que foi submetido à amputação em ambas as pernas em razão de uma má-formação, se mudou de Caraguatatuba, no litoral paulista, para a cidade de São Paulo no final do ano passado para treinar no Centro de Treinamento Paralímpico. “Treinar aqui ajudou muito no meu desenvolvimento. Vim com o objetivo de aprimorar minha técnica e desde que cheguei aqui meus tempos têm só melhorado, estou nadando melhor, ficando forte. Foi difícil deixar minha família na minha cidade, mas vim atrás de um sonho que está se tornando realidade”, afirmou.
Miguel Magalhães, 15, aluno da Escola Paralímpica de Esportes, saiu da piscina vibrando com seu resultado nos 50m borboleta S6 (comprometimento físico-motor), que completou em 45s46.
“Esta é minha prova principal e nadava ela em 47 segundos. Dei minha vida, nadei muito bem. Melhorar meus tempos me dá muita felicidade. Estou chegando perto do alto rendimento”, afirmou Miguel, que tem baixa estatura e representou a equipe SBCN Nauru.
Já pela classe S4 (comprometimento físico-motor), o goiano Nirondes Aguiar, 19, melhorou suas marcas anteriores nos 200m livre, de cerca de 3 minutos e 53 segundos para 3min46s47.
“Estou fazendo um treinamento de qualidade, alternando etapas de força e velocidade. Todo dia estou lá, mesmo com dificuldade de transporte, porque nem sempre temos ônibus acessível. Meus colegas me ajudam sempre e nunca falto”, afirmou o jovem, que participa das semanas de treinamento da Seleção Brasileira de Jovens no CT Paralímpico.
Nirondes, do clube Aguea, foi outro que esteve atento ao Mundial de Singapura. “Eu assisti tanto ao Brasil como também às provas da minha classe, mesmo quando não tinha brasileiro. Observei os tempos que eles fazem e aprendi muita coisa. O Mundial me inspirou muito para continuar treinando”, disse.
Os principais atletas da natação paralímpica brasileira voltam ao CT em dezembro, do dia 5 ao 7, quando será realizada a edição adulta do Campeonato Brasileiro Loterias Caixa da modalidade.
Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação.
Time São Paulo
A atleta Alessandra Oliveira integra o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












