A Etapa Nacional das Paralimpíadas Universitárias começou nesta segunda-feira, 21, em São Paulo, com disputas de atletismo, realizadas pela manhã no Estádio Olímpico do Ibirapuera, e de natação e bocha, no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB). A competição termina nesta terça-feira, 22, no período da tarde, com as modalidades disputadas no CTPB.
Aos 51 anos, a goiana Ercileide Laurinda da Silva concilia a carreira esportiva com os estudos. Atleta de bocha há 23 anos, ela representa a Universidade de Uberaba (Uniube) nas Paralimpíadas Universitárias 2026. Formada em Direito, atualmente cursa Marketing na instituição.
A relação com a bocha começou durante o processo de reabilitação, após a distrofia muscular que fez Ercileide se tornar cadeirante aos 27 anos. Em 2003, ela disputou seu primeiro Campeonato Brasileiro, em Petrópolis (RJ), e terminou na segunda colocação. Na época, as competições eram mistas – quando homens e mulheres disputam juntos.
“Eu fui para a reabilitação e, a princípio, era uma forma de buscar autonomia, até que passou a ser competitivo. A minha técnica me levou para Petrópolis, que foi o primeiro Campeonato Brasileiro de que participei, em 2003. E lá eu vi que poderia ser atleta”, contou.
Em 2009, veio a primeira convocação para a Seleção Brasileira. Ercileide viajou para Montreal, no Canadá, para disputar sua primeira Copa América. Até então, nunca havia saído de sua cidade ou viajado de avião. Na competição, conquistou o ouro na disputa em pares e o bronze na individual.
“Quando você tem capacidade de jogar de igual para igual com atletas que já estão anos à sua frente, é um ganho muito importante. Significa que eu estou viva e, enquanto estiver viva, posso fazer qualquer coisa”, afirmou.
Em 2019, Ercileide conquistou a medalha de prata nos pares dos Jogos Parapan-Americanos de Lima, na classe BC4 (atletas que não recebem assistência). Ela também foi convocada para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020.
Ao longo da carreira, a atleta se tornou referência para outras mulheres na bocha. Ela foi a primeira mulher na classe BC4, formada por atletas que não recebem assistência, e acompanhou as transformações da modalidade, que deixou de ter disputas mistas e passou a separar as competições por gênero.
“Elas dizem que eu sou referência para elas porque fui a primeira mulher atleta da classe BC4. Quando era misto, não tinha mulheres. Aí, quando elas me viram junto, lutando, foram se aproximando. Hoje, o campeonato é dividido por gênero. É muito bacana saber que você contribuiu de alguma forma para a qualidade de vida de outra pessoa”, disse.
As Paralimpíadas Universitárias representam também uma oportunidade de viver uma experiência que não existia quando Ercileide começou no esporte. Sem campeonatos escolares ou universitários no início da carreira, ela foi direto para as competições adultas e hoje procura transmitir sua experiência às novas gerações. Nesta terça-feira, ela disputa o título da classe BC4.
“É uma oportunidade de fazer o que não pude lá atrás; agora, trazendo toda a experiência que eu tinha para as meninas que estão começando. Posso passar para elas o que ninguém me passou.”
Hoje, além de atleta e estudante, Ercileide é presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Uberaba (Adefu) e do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência da cidade mineira. Para ela, cada nova experiência representa mais uma oportunidade de continuar escrevendo a própria história.
“Enquanto Deus der a oportunidade de fazer o que a gente gosta e escrever mais um livro no nosso capítulo da vida, você tem que escrever, porque desistir é para os fracos, e eu não sou fraca”, finalizou.
Se Ercileide encontrou no esporte uma trajetória construída ao longo de 23 anos, o doutorando em Economia Regional e Políticas Públicas da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus (BA), Darllan Vieira, 30, vive agora os primeiros capítulos de sua história na natação. Ele começou a praticar a modalidade há poucos meses, depois que um amigo do movimento Baiano Nanismo o apresentou ao Centro de Referência Paralímpica (CRP) Ilhéus-Itabuna. Natural de Jequié (BA), ele tem acondroplasia e encontrou no esporte uma nova possibilidade de vivência e competição.
O início foi rápido. Em cerca de dois meses e meio, Darllan aprendeu a nadar e, em julho, participou do Meeting Paralímpico de Salvador (BA), quando conquistou a medalha de bronze nos 50m livre, na classe S6 (deficiência físico-motora). Nesta segunda-feira, voltou ao pódio, com a prata nos 100 m livre em sua segunda competição,.
Além dos resultados, a participação nas Paralimpíadas Universitárias representa a oportunidade de representar o CRP e a universidade ao lado de uma equipe que esteve presente desde o início de sua trajetória esportiva.
“É uma honra para mim representar o CRP Ilhéus-Itabuna e a universidade. São várias pessoas que acreditam na gente, todo o estafe, os coordenadores e os treinadores. É natural sentir ansiedade, principalmente nas primeiras competições, mas a gente confia na equipe e sabe que os treinos foram realizados. É uma alegria enorme ver esse trabalho dando resultado”, afirmou Darllan.
Paralimpíadas Universitárias
Ao todo, 329 atletas de 24 unidades federativas participam da Etapa Nacional das Paralimpíadas Universitárias 2026, que reúne provas de atletismo, natação e bocha. O evento é destinado a estudantes de cursos de graduação e pós-graduação de todo o Brasil.
Os participantes garantiram vaga na Etapa Nacional por meio das seletivas estaduais do Meeting Paralímpico Loterias Caixa, promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) em todas as unidades federativas entre abril e agosto deste ano. A programação contou com disputas de alto rendimento e para atletas em desenvolvimento.
Serviço
Paralimpíadas Universitárias
Data: 21 e 22 de setembro
Locais: Centro de Treinamento Paralímpico e Estádio Olímpico do Ibirapuera
Endereços: Rodovia dos Imigrantes, Km 11,5 – Vila Guarani, São Paulo
Rua Manuel da Nóbrega, 1361 – Ibirapuera
Patrocínio
As Loterias CAIXA, a CAIXA, a Braskem e a Asics são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
As Loterias CAIXA e a CAIXA são as patrocinadoras oficiais da natação e da bocha.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












