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Venezuelanos ganham chance de recomeçar a vida na etapa de Roraima do Meeting Loterias Caixa

O atleta venezuelano Martin Duval Medrano, 47, em ação no Meeting Paralímpico Loterias Caixa em Boa Vista, Roraima | Foto: Carlos Rocha

O Meeting Paralímpico Loterias Caixa de Boa Vista, em Roraima, reuniu 108 atletas neste sábado, 12, na Vila Olímpica Roberto Marinho, com disputas em três modalidades: atletismo, natação e tiro com arco.

Organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o evento contou com provas de alto rendimento e também com seletivas estaduais para quatro competições de base: Paralimpíadas Escolares, Universitárias, Militares e Intercentros (voltada a crianças de 7 a 10 anos, alunas dos Centros de Referência do CPB).

A etapa marcou a estreia do venezuelano Martin Duval Medrano, 47, refugiado que vive desde setembro de 2024 em um abrigo da Operação Acolhida — programa do Governo Federal que oferece assistência emergencial a migrantes.

Martin representou o Clube Ases de Cadeiras de Rodas de Roraima no lançamento de dardo, com 19,87m, e no arremesso de peso, com 7,44m.

“Para uma primeira competição, gostei do resultado. Claro que quero e sei que posso melhorar, e aqui no Brasil tenho apoio para continuar treinando e tentando. No abrigo, tenho condições dignas para mim e minha família, mas agora posso sonhar com uma vida melhor”, disse o atleta, que era eletricista na cidade venezuelana de Barrancas Del Orinoco, na província de Monagas, e sofreu amputações nas duas pernas após um acidente com descarga elétrica.

Martin conheceu o Movimento Paralímpico no início do ano, por meio do basquete em cadeira de rodas, no Centro de Referência Paralímpico do CPB, em Boa Vista. Está no Brasil com a esposa e a filha de 12 anos. “Estamos aqui torcendo e lutando para que o esporte seja um meio de construir uma vida nova. Quero competir muito, conhecer outros países e viver do esporte”, completou.

História semelhante é a de Alesander Narvaez Lima, 48, também venezuelano de Monagas e, atualmente, morador do abrigo da Operação Acolhida. Há um ano no Brasil, ele estreou em competições neste sábado, também pelo Ases, no lançamento de dardo (5,54m) e no arremesso de peso (2,58m).

“Estou muito feliz por estar aqui e poder sonhar em seguir no esporte. Minha família ficou na Venezuela, mas encontrei no abrigo e no esporte pessoas que me acolheram e se tornaram parte da minha história”, contou o atleta, que teve poliomielite aos dois anos e apresenta comprometimentos nos membros superiores e inferiores.

Gabriel Rojas, 44, também venezuelano da província de Monagas, e estreante em competições, completa o trio de refugiados do clube Ases. Amputado da perna esquerda após um acidente, Gabriel alcançou 6,50m no arremesso de peso e 17,41m no lançamento de dardo. Os três competiram na classe F57 (deficiência nos membros inferiores ou no tronco).

Como parte das comemorações pelos 30 anos do CPB, a etapa contou com a presença de dois ex-atletas paralímpicos na cerimônia de abertura: o nadador gaúcho Luis Antônio Correa da Silva e a velocista cearense Maria José Ferreira, a Zezé.

Luis Antônio, da classe S6 (comprometimento físico-motor), conquistou sete medalhas paralímpicas (um ouro, cinco pratas e um bronze) nos Jogos de Sydney 2000, Atenas 2004 e Pequim 2008. Foi recordista mundial e paralímpico entre 1999 e 2008.

“Não tem como deixar de agradecer ao CPB por trazer ao Norte do Brasil a inclusão pelo esporte. Que esses atletas saibam aproveitar todas as oportunidades que o CPB oferece”, afirmou.

Zezé, da classe T12 (baixa visão), tem quatro bronzes paralímpicos — nos 100m e 200m dos Jogos de Atlanta 1996 e Atenas 2004.

“Estou honrada por dividir um pouco do que o esporte me trouxe. Que todos aqui acreditem nos próprios sonhos e busquem a excelência com dedicação. Vale muito a pena”, disse ela.

A abertura oficial foi realizada por Paulo Losinskas, diretor jurídico do CPB. “Vocês, atletas e treinadores, são a razão de existir do Comitê Paralímpico Brasileiro. É gratificante ver tanta inspiração neste encontro entre iniciantes e ídolos do esporte. Agradecemos aos nossos patrocinadores, especialmente às Loterias Caixa, neste ano simbólico em que completamos 30 anos. Nosso futuro será ainda mais brilhante que o presente”, afirmou.

Além de Boa Vista, Teresina, capital do Piauí, recebe neste sábado uma etapa do Meeting Loterias Caixa, que se iniciou em abril e se encerrará em agosto, com a última etapa nas instalações do Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, na cidade de São Paulo.

Criado em 2021, o Meeting Paralímpico tem o objetivo de desenvolver o paradesporto em todo o país, reunindo atletas iniciantes e de elite. Entre abril e agosto deste ano, o evento passará por todos os estados e pelo Distrito Federal.

Patrocínio
As Loterias Caixa, a Caixa, a Braskem e a Asics são patrocinadoras oficiais do atletismo.
As Loterias Caixa e a Caixa são patrocinadoras oficiais da natação e do tiro com arco.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro – imp@cpb.org.br

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