O paulista Arthur Terêncio Dias, 20, conquistou a medalha de ouro individual na classe WH1 (cadeirantes) dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar, na Colômbia, nesta terça-feira, 14.
O título do atleta veio com a vitória sobre o colombiano Víctor Eduardo Aragón Domínguez por 2 sets a 0, com parciais de 15/7 e 15/7. Os dois atletas já haviam se enfrentado na etapa anterior da competição, com vitória do brasileiro, também por 2 a 0 (15/7 e 15/11).
“Eu me sinto muito feliz com este título. Houve uma pressão por ter enfrentado duas vezes o mesmo atleta. Pensava que talvez ele pudesse voltar diferente para enfrentar meu jogo, ou que talvez estivesse ventando e isso dificultasse a partida. Eu me preparei mentalmente para enfrentar todas as adversidades e deu tudo certo”, analisou. “Agora meu objetivo é me colocar entre os 20 melhores do mundo para ter a oportunidade de participar de mais missões internacionais”, afirmou.
O jovem, atleta do Sesi-SP, vem conquistando seus primeiros pódios no circuito internacional da modalidade há dois anos e está decidido a seguir a carreira no esporte.
“É muito gratificante poder jogar contra atletas que eu sempre admirei, que eu via pelo celular nas grandes competições. Estou decidido a seguir no badminton e incomodar os chineses, que são os melhores na minha classe, até ser o melhor do mundo”, afirmou.
Porém, até chegar a esse comprometimento com a modalidade, Arthur precisou lidar com sua desconfiança em relação ao esporte para pessoas com deficiência.
O paulista sofreu uma lesão na coluna aos 13 anos, durante uma aula de Educação Física na escola. Em um jogo de futebol, ele entrou em uma disputa de corpo com um colega e caiu no chão. Na hora, até conseguiu se levantar, mas a dor foi aumentando e ele precisou ser hospitalizado. Os movimentos das pernas não retornaram mais.
Arthur e sua família conheceram o esporte paralímpico durante o processo de reabilitação dele na Rede Lucy Montoro. Ali, conheceram também a Escola Paralímpica de Esportes, projeto de iniciação esportiva do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) para crianças e jovens de até 17 anos em 15 modalidades.
Arthur, porém, não queria participar. Só cedeu após a insistência da mãe.
“Eu tinha receio de fazer esporte porque achava que iria ser tratado como coitadinho. Minha mãe precisou insistir muito para eu aceitar. Ela não queria que eu ficasse em casa sem fazer nada. Chegando lá, vi que não havia essa coisa de terem pena de nós. Era exigência o tempo todo, muita adrenalina e competitividade mesmo”, afirmou.
Ao chegar ao projeto, Arthur começou pelo basquete em cadeira de rodas e, depois, foi convidado para experimentar o badminton pelo professor Andrew Cassiano. “No começo, não gostava do badminton, não acertava nada. Mas, quando aprendi o ‘smash’, o corte para baixo, descobri que o esporte era para mim”, lembrou.
Atualmente, tem em seu currículo a medalha de bronze no Internacional do Peru de 2025 e um ouro no mesmo país, conquistado no Sul-Americano de 2024. Mais recentemente, foi prata em simples e em duplas mistas no Pan-Americano da modalidade, em outubro de 2025, em São Paulo.
“Agora meu objetivo é me colocar entre os 20 melhores do mundo para ter a oportunidade de participar de mais missões internacionais”, afirmou o jovem, atualmente na 25ª colocação no ranking mundial.
Jogos Parasul-Americanos
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 com 237 atletas de 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo), dois goleiros (futebol de cegos) e dois calheiros (bocha).
Este é o primeiro evento multiesportivo com participação brasileira no ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos. Na edição anterior dos Jogos, o país ficou com um histórico quinto lugar no quadro geral de medalhas, após conquistar 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes.
O Brasil participa do evento com uma delegação formada por atletas de 26 estados e do Distrito Federal, reunindo experiência e juventude, com 131 homens e 106 mulheres.
Além disso, são 50 atletas que já conquistaram medalhas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em edições dos Jogos Paralímpicos entre os convocados para competir na Colômbia.
O grupo conta com 80 atletas com, no máximo, 23 anos na data de início da competição.
Os primeiros Jogos Parasul-Americanos foram realizados em 2014, em Santiago, no Chile. Mais de 580 atletas de oito países competiram em sete modalidades. Na ocasião, o Brasil terminou em segundo no quadro geral de medalhas, com 104 pódios conquistados, atrás apenas da Argentina.
Uma segunda edição do evento chegou a ser prevista para 2018, em Buenos Aires, na Argentina, mas foi cancelada por questões financeiras.
Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais do badminton.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












