O paraense Raynã Souza, 23, contribuiu com dois gols para a vitória da Seleção Brasileira de futebol de cegos sobre o Panamá por 18 a 0 nesta quinta-feira, 9, primeiro dia de disputas da modalidade nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026, que acontecem na Colômbia até a próxima quarta-feira, 15.
O atleta foi o último convocado para integrar a equipe, na vaga do tetracampeão paralímpico Ricardinho Alves, substituído após lesão.
Apesar de novo na Seleção, Raynã já teve oportunidade de se entrosar com a maior parte dos jogadores mais experientes do país. Ele fez parte do grupo de atletas que se concentrou em João Pessoa durante seis meses como parte da preparação para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024. Após a concentração o país conquistou a medalha de bronze na modalidade no megaevento, sem a participação de Raynã,
“Foi uma experiência incrível poder fazer tantos treinos em quadra, com equipes formadas para disputas de quatro contra quatro na linha. Isso sem falar na qualidade dos atletas, no aprendizado de todos os dias, na possibilidade de enfrentar uma marcação forte”, disse.
Mudanças não são novidade para o paraense, que tem glaucoma congênito. Nascido em Ourilândia do Norte, ele foi morar aos 15 anos em Goiânia junto com a irmã, quatro anos mais velha e sem deficiência, assim que seu pai, pedreiro, descobriu a existência do futebol de cegos.
“Meu pai foi trabalhar em Goiânia, porque em nossa cidade não havia emprego. Lá ele conheceu uma associação que tinha futebol de cegos. Eu e minha irmã fomos morar sozinhos, perto de uma prima que nos ajudava quando preciso”, lembrou.
Raynã considera que esta é sua principal disputa representando o Brasil. Antes, ele já havia participado de etapas de Grand Prix no Brasil e na França com a Seleção Brasileira, de 2022 a 2024, e dos Jogos Parapan-Americanos de Jovens de Bogotá, em 2023.
“Esta competição é muito importante para mim, a mais forte que disputo com a equipe principal. Estou muito feliz por estar aqui e por poder colaborar com cada gol que faço”, disse.
Jogos Parasul-Americanos
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 com 237 atletas de 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo), dois goleiros (futebol de cegos) e dois calheiros (bocha).
Este é o primeiro evento multimodalidade com a participação brasileira dentro do ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos. Na edição anterior dos Jogos, o país ficou com um histórico quinto lugar no quadro geral de medalhas, após conquistar 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes.
O Brasil participa do evento com uma delegação formada por atletas de 26 estados e do Distrito Federal que une experiência e juventude, com 131 homens e 106 mulheres.
Por um lado, são 50 atletas que já conquistaram medalhas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em edições dos Jogos Paralímpicos entre os convocados para competir na Colômbia. Por outro, o grupo conta com 80 atletas que terão no máximo 23 anos na data de início da competição.
Os primeiros Jogos Parasul-Americanos foram realizados em 2014, em Santiago, no Chile. Mais de 580 atletas de oito países competiram em sete modalidades. Na ocasião, o Brasil terminou em segundo no quadro geral de medalhas, com 104 pódios conquistados, atrás apenas da Argentina.
Uma segunda edição do evento chegou a ser prevista para 2018 em Buenos Aires, na Argentina, mas foi cancelada por questões financeiras.
Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais do futebol de cegos.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












