Atualizado às 23h33*
Os Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026, na Colômbia, oferecem a oportunidade para a caçula da equipe, a carioca Brenda Bauer, 24, firmar sua vaga na Seleção Brasileira de basquete em cadeira de rodas, pela qual voltou a disputar uma competição após dois anos.
A equipe avançou às semifinais do evento na primeira colocação do grupo B. O resultado foi construído com uma vitória sobre a Bolívia na estreia, por 74 a 9 nesta sexta-feira, 3; e uma vitória sobre a Colômbia, por 78 a 25, neste sábado, 4.
Esta é apenas a segunda competição oficial de Brenda com a Seleção. Antes, ela foi medalhista de prata no Sul-Americano disputado em Lima, em 2024.
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Na avaliação de Brenda, o retorno para a Seleção aconteceu em razão de sua dedicação. “Treino de segunda-feira à sexta-feira, tanto na quadra como também na academia, e este trabalho devolve resultado. Viram minha melhora e, com isso, estou entre as 12 selecionadas”, afirmou a atleta. Antes de Valledupar, ela ainda participou de um torneio amistoso, o Desafio Internacional realizado em Ottawa, no Canadá, em junho, com a participação de Estados Unidos e Japão, além da equipe dona de casa.
A trajetória da atleta até esta competição continental passa por mudanças de modalidade, de função na quadra e, mais recentemente, de Estado.
Brenda, que tem espinha bífida oculta, uma má-formação da coluna vertebral, começou no esporte por meio do rúgbi em cadeira de rodas. Porém, ao descobrir que sua deficiência não a tornava elegível para competir oficialmente na modalidade, passou a atuar também como auxiliar técnica na modalidade.
A atleta chegou ao basquete em cadeira de rodas em 2021. Ela estava na Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), participando de um treino de um time masculino, quando foi convidada para experimentar a nova modalidade por Hugo Vinicius, à época analista de desempenho da Seleção Brasileira e atualmente treinador na Alemanha.
“Eu gosto muito da dinâmica do basquete em cadeira de rodas, de ter muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo na quadra. No começo, achei uma loucura, mas logo me apaixonei”, disse.
Ao chegar à modalidade, Brenda passou a representar a equipe APP Valkirias, de Patos de Minas (MG), mas continuou morando no Rio de Janeiro para terminar a faculdade de Educação Física na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para manter o ritmo no esporte, treinava junto com a equipe masculina da Acadef. Após se graduar, finalmente, mudou-se para Minas Gerais.
Brenda é atleta da classe 1.0 no basquete em cadeira de rodas (para atletas com maior nível de limitação físico-motora). Jogadoras dessa classe geralmente atuam no sistema defensivo. Segundo Brenda, fortalecer a defesa é um dos pilares que devem ser trabalhados para que o Brasil tenha êxito.
“Além disso, estamos nos comunicando mais para definir o momento de se defender com mais pressão ou de adotarmos outra estratégia”, explicou.
Em 2026, a Seleção Brasileira de basquete em cadeira de rodas ainda disputa o Mundial da modalidade em setembro, em Ottawa, no Canadá.
Ciclismo
No final deste sábado, o goiano Bruno Bonfim dos Anjos, que havia conquistado a prata em sua prova de estrada na classe B, acabou ficando com ouro após o ciclista chileno, campeão da prova em seu encerramento, ter sido desclassificado.
Jogos Parasul-Americanos
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 com 237 atletas de 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo), dois goleiros (futebol de cegos) e dois calheiros (bocha).
Este é o primeiro evento multimodalidade com a participação brasileira dentro do ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos. Na edição anterior dos Jogos Paralímpicos, em Paris, o país ficou com um histórico quinto lugar no quadro geral de medalhas, após conquistar 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes.
Na Colômbia, o Brasil participa do evento com uma delegação formada por atletas de 26 estados e do Distrito Federal que une experiência e juventude, com 131 homens e 106 mulheres.
Por um lado, são 50 atletas que já conquistaram medalhas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em edições dos Jogos Paralímpicos entre os convocados para competir na Colômbia. Por outro, o grupo conta com 80 atletas que terão no máximo 23 anos na data de início da competição.
Os primeiros Jogos Parasul-Americanos foram realizados em 2014, em Santiago, no Chile. Mais de 580 atletas de oito países competiram em sete modalidades. Na ocasião, o Brasil terminou em segundo no quadro geral de medalhas, com 104 pódios conquistados, atrás apenas da Argentina.
Confira as medalhas e os resultados do Brasil neste sábado, 4:
Ouro
Ciclismo
Lauro Chaman – Estrada – classes C4/C5
Viviane Soares – Estrada – classe B
Bruno Bonfim dos Anjos – Estrada – classe B
Halterofilismo
Marco Túlio Cruz (categoria até 49kg) – levantou 175kg
Maria de Fátima Castro (categoria até 67kg) – levantou 133kg
Prata
Halterofilismo
Lara Lima (categoria até 41kg) – levantou 108kg
Cristiane Reis (categoria até 55kg) – levantou 102 kg
Maria Rizonaide (categoria até 50kg) – levantou 99kg
João Junior França (categoria até 59kg) – levantou 166kg
Luciano Dantas (categoria até 65kg) – levantou 162kg
Ana Paula Marques (categoria até 61kg) – levantou 112kg
Ciclismo
Fabiana Ventura – Estrada – classes C4/C5
Jerusa Geber – Estrada – classe B
Bronze
Halterofilismo
Brenda Souza (categoria até 45kg) – levantou 92kg
Coletivos
Goalball
Feminino
Brasil 4 x 2 Peru
Brasil 2 x 2 Chile
Masculino
Brasil 13 x 3 Colômbia
Vôlei sentado
Feminino
Brasil 3X0 Peru
25/15, 25/04, 25/15
Masculino
Brasil 3×0 Peru
25/15, 25/09 e 25/21
Brasil 3 x 0 Colômbia
25/17, 25/20 e 25/11
Basquete em cadeira de rodas
Feminino
Brasil 78 x 25 Colômbia
Masculino
Brasil 105 x 12 Peru
Patrocínio
As LOTERIAS CAIXA e a CAIXA são as patrocinadoras oficiais do basquete em cadeira de rodas, goalball, halterofilismo e vôlei sentado.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












