A Seleção Brasileira feminina de vôlei sentado está reunida no Centro de Treinamento Paralímpico (CT), em São Paulo, para a primeira semana de treinamentos da temporada. O objetivo da etapa de treinos é a preparação para o Mundial da modalidade, integrando atletas em diferentes momentos de suas trajetórias esportivas – nomes experientes e novos talentos que passam a fazer parte do grupo principal.
Entre as convocadas está a paulista Suellen Cristine, presença constante na Seleção Brasileira desde o início da carreira. A atleta participa de mais uma etapa de preparação com o elenco principal, mantendo sua trajetória de longa data com a equipe.
Nascida com uma má-formação na mão esquerda, Suellen iniciou sua jornada esportiva no voleibol convencional, aos 12 anos. Atuou pelo time de Diadema até receber, no fim de 2006, uma ligação do técnico da Seleção Brasileira de vôlei sentado da época para conhecer a modalidade. No ano seguinte, tornou-se campeã brasileira e disputou seu primeiro Campeonato Mundial.
Uma das atletas que atua há mais tempo na Seleção, Suellen soma em seu currículo o título mundial conquistado na Bósnia e Herzegovina, em 2022, além de duas medalhas paralímpicas: bronze no Rio 2016 e em Tóquio 2020. Em 2025, obteve ouro e foi eleita a melhor atleta do Zonal Pan-Americano de Denver (EUA), conquistou o ouro na 1ª Copa América de Curitiba, a prata na Copa do Mundo de Indiana (EUA) e sagrou-se campeã brasileira de vôlei sentado pelo SESI-SP, alcançando o 19º título nacional da carreira.
Ciente da importância do período de preparação, a atleta destacou o início da temporada e os objetivos do grupo: “É intenso, mas é o que precisa. A gente vinha de férias, mas já começa o ano assim porque temos um Campeonato Mundial muito importante em junho. Somos as atuais campeãs e precisamos nos manter nessa posição. Além disso, o foco principal é buscar a vaga direta para os Jogos Paralímpicos de Los Angeles”, explicou Suellen.
Uma das novidades na equipe é a mocoquense Monalisa Cristina da Silva, que foi convocada pela primeira vez para a Seleção Brasileira feminina de vôlei sentado.
Antes de ingressar na modalidade paralímpica, Monalisa praticava vôlei convencional. Em julho de 2024, sofreu um acidente de trânsito em uma estrada vicinal que liga Mococa (SP) a São José do Rio Pardo (SP), no qual o motorista envolvido fugiu do local. O episódio teve grande repercussão na cidade-natal da atleta, que acabou submetida à amputação da perna esquerda, justamente no ano em que se preparava para sua primeira competição de fisiculturismo, prevista para dezembro. Além do vôlei, a modalidade seguia como atividade complementar.
O primeiro contato com o vôlei sentado aconteceu em setembro de 2025, durante o Curso de Capacitação Técnica Paralímpica realizado no São Clarão, ginásio municipal localizado em Mococa. Na ocasião, uma professora do SESI-SP conheceu Monalisa e a convidou para participar de uma seletiva na capital paulista.
A atleta passou dez dias em avaliação no clube e, na sequência, foi emprestada à Associação Paralímpica de Blumenau (APESBLU-SC). Pela equipe catarinense, disputou o Campeonato Brasileiro e conquistou a medalha de bronze, com vitória sobre a ADFEGO-GO na disputa pelo terceiro lugar por três sets a zero, com parciais de 25/23, 25/18 e 25/9. Atualmente, Monalisa tem contrato com o SESI-SP e deve se reapresentar ao clube após o período de treinamentos com a Seleção.
“Quando vi o e-mail [da convocação para a Seleção], acho que li umas três vezes. Parei, olhei de novo e chamei meus pais. Comecei a tremer e a chorar. Pensei que precisava agarrar essa oportunidade e dar o meu máximo”, relatou a atleta.
“Estou começando agora no vôlei sentado, mas tenho muita vontade de treinar e de evoluir. Quero estar aqui, quero disputar o Mundial e os Jogos Paralímpicos. Na minha cidade, o acesso ao paradesporto é pequeno, e hoje recebo mensagens de pessoas que dizem que retomaram a vida social depois da deficiência porque viram que eu não desisti. Quero continuar mudando essa visão e levar o paradesporto para lá”, afirmou.
Patrocínios
A Caixa e as Loterias Caixa são as patrocinadoras oficiais do vôlei sentado.
Time São Paulo
A atleta Suellen Cristine Dellangelica Lima integra o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 155 atletas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












