O Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, recebe nesta semana dois encontros entre a Seleção Brasileira de futebol de cegos e alunos do Colégio Vicentino de Cegos Padre Chico, também sediado na capital paulista.
Os eventos acontecem nesta segunda-feira, 23, e terça-feira, 24, com cerca de 30 jovens por dia, incluindo meninos e meninas.
Durante a atividade, os alunos têm a oportunidade de ouvir a história dos atletas e fazer perguntas sobre a modalidade. Eles também realizam um tour pelo CT, conhecendo profissionais da equipe multidisciplinar que apoiam os esportistas e visitando treinos de outras modalidades que são praticadas por pessoas com deficiência visual nos Jogos Paralímpicos.
O encontro tem como objetivo incentivar a prática esportiva entre os jovens com deficiência visual e apresentar a Escola Paralímpica de Esportes, projeto de iniciação esportiva gratuita oferecido para crianças e jovens com deficiência em São Paulo, também no CT.
Eloise Silva das Neves, 11, avaliou a reunião: “Eu achei uma experiência muito legal. Vimos jogadores que sonharam, estudaram e treinaram muito até chegar ao ponto de ficarem muito famosos”, destacou a jovem, que contou gostar muito de correr brincando com os amigos.
A garota, que tem percepção visual de luz e cores, contou que também gostou de visitar a pista de atletismo e perceber a velocidade com a qual correm os esportistas de alto rendimento. “Eu adorei ver os atletas dando tiro. É como se você estalasse os dedos e eles sumissem, correndo muito rápido”, disse.
Já Davi Mariano Rovari, 11, está se preparando para iniciar a natação na Escolinha do CPB em breve. Para ele, a troca com os jogadores foi um incentivo importante. “Gostei muito de saber sobre os sonhos. Um deles contou que, quando perdeu a visão, perdeu toda a esperança. Mas, quando descobriu o CT, voltou a desejar ser um grande atleta”, explicou o jovem, que tem baixa visão em razão de um glaucoma congênito.
“É muito gratificante ter essa troca com os jovens. É uma iniciativa muito importante para o desenvolvimento do esporte paralímpico, porque incentiva os meninos e meninas a acompanharem as modalidades desde cedo”, afirmou Tiago Paraná, atleta da Seleção Brasileira, que começou a jogar futebol com 14 anos e tem três medalhas paralímpicas (dois ouros e um bronze).
Para Tiago, a prática esportiva deve ser incentivada desde cedo: “O esporte vai além da busca pela medalha. É muito bom para oferecer uma vida mais saudável para todos”, completou.
Escola Paralímpica de Esportes
A Escola Paralímpica de Esportes é voltada à iniciação esportiva de crianças e jovens com deficiência, de 7 a 17 anos, e permanece com inscrições abertas por meio deste link.
O projeto atende participantes com deficiências física, visual e intelectual em 15 modalidades paralímpicas: atletismo, badminton, bocha, paraesgrima, futebol de cegos, goalball, halterofilismo, judô, natação, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco, triatlo e vôlei sentado.
Todas as modalidades fazem parte do programa oficial dos Jogos Paralímpicos, o que consolida a Escolinha, como é carinhosamente conhecida, como um primeiro passo para a formação esportiva.
As aulas são realizadas no Centro de Treinamento Paralímpico, na zona sul de São Paulo, com encontros em dois dias por semana — às segundas-feiras e quartas-feiras ou às terças e quintas-feiras — em dois períodos: das 14h às 15h30 e das 16h às 17h30. Os alunos recebem uniforme, lanche e também podem utilizar o transporte oferecido pelo projeto em pontos estratégicos da capital paulista.
Em 2025, a Escola Paralímpica de Esportes atendeu 524 alunos. Destes, 46 integraram a delegação brasileira no Parapan de Jovens, disputado no Chile, competição encerrada com o Brasil na primeira colocação do quadro geral, com a conquista de 100 medalhas.
Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais do futebol de cegos.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












