O Centro de Treinamento Paralímpico recebeu, até esta sexta-feira, 31, as Paralimpíadas Universitárias, competição organizada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) que reúne alunos de graduação e pós-graduação com deficiência de todo o Brasil. O evento marcou a reestreia do paranaense Vinicius Cabral, após se tornar medalhista mundial de atletismo no campeonato realizado em Nova Déli, na Índia, em setembro e outubro deste ano.
As disputas começaram na quinta-feira, 30, com competições de atletismo, natação e bocha para 260 atletas de 17 estados e do Distrito Federal (AC, AL, AP, AM, BA, CE, ES, GO, MT, MG, PA, PR, PE, RJ, SC, SP e TO).
Os atletas se classificaram para a disputa por meio das Seletivas Estaduais, realizadas como parte do Meeting Paralímpico Loterias Caixa, evento organizado pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) que percorreu todas as Unidades Federativas do Brasil entre abril e agosto deste ano com provas para o alto rendimento e para atletas em desenvolvimento.
Vinicius Cabral, 24, competiu nas Universitárias apenas um mês após ser vice-campeão Mundial em Nova Déli, na Índia, na prova dos 100m da classe T71 (deficiência grave de coordenação motora competindo na petra).
Aluno de pós-graduação em Esporte de Alto Rendimento e Nutrição, o paranaense completou o percurso em 22s94 no Centro de Treinamento Paralímpico, em pista escorregadia por conta da chuva na capital paulista.
Nesta que é sua quinta vez nas Universitárias, Vinicius contou participar da competição desde sua graduação em Educação Física e que considera o evento importante para o fomento do esporte no Brasil, por oferecer uma disputa com boa estrutura para atletas de todo o país.
O atleta disse que o esforço para se manter no alto rendimento ao mesmo tempo em que se dedica aos estudos está relacionado aos seus planos após o fim da carreira como esportista. “Como bom atleta, a gente se esforça para ter uma rotina de treinos durante o dia e de estudos à noite. Quando eu me aposentar do esporte, quero ser técnico de esportes paralímpicos”, afirmou Vinicius, que representou a faculdade Unicesumar.
As Universitárias ainda contaram com atletas que fazem parte das competições do CPB desde o período escolar e seguem competindo, agora como estudantes de graduação.
Na natação, a alagoana Maria Julia Monteiro Lima, 20, da classe S7 (comprometimento físico-motor), veio acompanhada por seu pai, Jadson dos Santos Lima, professor de Educação Física que se especializou em esporte adaptado após o nascimento da filha. A jovem representou a Unicesumar, onde estuda Publicidade e Propaganda, e também faz graduação em Educação Física na Universidade Estadual do Estado de Alagoas.
A atleta, que tem paralisia cerebral, disputa competições no CPB desde os 12 anos, quando participou pela primeira vez das Paralimpíadas Escolares, maior competição esportiva para crianças e jovens com deficiência do mundo. Já no ano passado, ao chegar ao nível superior, Maria Julia participou pela primeira vez das Paralimpíadas Universitárias.
“Eu me encontrei na água e aqui no Centro de Treinamento Paralímpico. Conheci pessoas com deficiências como a minha e nunca mais quis parar de nadar. Eu quero seguir evoluindo na natação, ter a oportunidade de ser convocada para treinar pelo menos por uma semana aqui no CT. Espero ficar velhinha ainda nadando”, afirmou a atleta, que competiu nas provas dos 100m livre, 50m costas, 50m livre e 100m peito.
Jadson, o pai de Maria Julia, disse se sentir realizado ao ver o progresso da filha, tanto no âmbito educacional como também no esportivo. “Eu me sinto radiante de alegria, felicidade e amor de poder vivenciar esta competição ao lado dela”, afirmou.
Ele contou ter se especializado em esporte adaptado a partir dos cursos oferecidos pelo CPB no programa Educação Paralímpica. “Hoje sou professor universitário e consigo transferir para meus alunos o que o CPB pode oferecer.”
Na bocha, uma das campeãs foi a gaúcha Bruna Dondé, 19, da classe BC2 (atletas que não recebem auxílio durante as provas). Bruna faz questão de dizer que considera o Centro de Treinamento Paralímpico a sua segunda casa, pois tem amigos que encontra nas competições e acredita que o local tem uma ótima estrutura para recepcioná-la fora de sua cidade, Caxias do Sul (RS).
Praticante da bocha desde os nove anos pelo incentivo da mãe, Bruna vem a São Paulo desde os 12 para competir nas Escolares. Também já fez parte do Camping Escolar Paralímpico (programa que apresenta a rotina de alto rendimento no CT durante uma semana) e disputou o Campeonato Brasileiros de Jovens, em Curitiba (PR).
Agora, a aluna do curso superior de Tecnologia em Processos Gerenciais no Instituto Federal – Campus Caxias do Sul concilia a rotina de estudos com os treinos e nutre o sonho de integrar a Seleção Brasileira de bocha.
Patrocínio
As Loterias Caixa, a Caixa, a Braskem e a Asics são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












