É com extremo pesar que o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) comunica o falecimento do ex-jogador Sandro Damião da Silveira, de 52 anos, ocorrido no último domingo, 16, em Franca (SP), onde morava atualmente. Atleta da primeira geração da Seleção Brasileira de futebol de cegos, Sandro foi campeão mundial em 2000, em Jerez de la Frontera, na Espanha, ocasião em que marcou um dos gols da vitória por 4 a 0 sobre a Argentina na final.
“Craque, polêmico e decisivo. Era dotado de uma habilidade fora do padrão. Sou grato por todo aprendizado que tive com ele tanto na ADEVIBEL quanto na Seleção”, disse Walace Alves Salis, conhecido como Sol, treinador do Brasil no bicampeonato mundial – a primeira conquista fora em 1998, em Paulínia (SP), um ano após a realização da primeira competição oficial chancelada pela IBSA (sigla em inglês para Federação Internacional de Esportes para Cegos), a Copa América de 1997, no Paraguai.

Natural de Cachoeiro de Itapemirim (ES), Sandro nasceu com glaucoma e perdeu a visão ao longo do tempo. Estudou no tradicional Instituto São Rafael, escola referência em deficiência visual localizada na capital mineira, antes de surgir para o esporte na ADEVIBEL (Associação dos Deficientes Visuais de Belo Horizonte), onde foi tetracampeão brasileiro. “Cara, se você perguntar para a galera mais das antigas, certamente vai escutar que ele está entre os melhores jogadores de futebol de cegos de todos os tempos”, garante o colega João Batista, que jogou com Sandro na equipe mineira e na Seleção e ainda está na ativa, aos 45 anos.
A fama de Sandro logo se espalhou: um atleta fora de série, mas de pavio curto. “Já tinha ouvido falar dele, mas só fui conhecê-lo em 1998, em Cascavel, no Paraná. Depois, foi tricampeão brasileiro com a gente no Mato Grosso, jogou por muito tempo na AMC [Associação Mato-Grossense de Cegos]”, conta Malcino de Oliveira, de 56 anos, outro ex-colega de equipe. “Jogava demais, habilidosíssimo… Mas, como muitos da época, não tinha orientação e se perdia pelo temperamento muito forte. Mas, dentro de quadra, com a bola no pé, não deve nada a Ricardinho, Jefinho, Nonato. Eu falo como marcador desse cara. Era horrível marcá-lo! Na época em que ele surgiu, era o melhor do país em condução de bola, habilidade. Ele pegava a bola lá na área com o goleiro e vinha driblando, conduzindo em zigue-zague. A gente não conseguia marcar!”, relembra.
Sandro era divorciado e deixa uma filha, Alyne, de 24 anos. O motivo da morte só será conhecido quando o laudo médico for divulgado, mas a suspeita é infarto. Segundo a filha, Sandro gostava de ouvir músicas, ver vídeos de tecnologia e jogar dominó com os amigos. “Era muito ativo nos grupos de WhatsApp sobre acessibilidade para cegos, tentava sempre ajudar todos. Ele dava muito valor à solitude e gostava de ter o espaço dele”, conta Alyne.
“Meu pai sempre foi apaixonado pelo futebol e pelo goalball, ele carregava o esporte na alma. Mesmo quando estava longe das quadras, falava com carinho de cada experiência, cada aprendizado e cada momento que ele vivenciou ao longo dos anos.
Seu nome permanece forte, sua história permanece grande e seu exemplo será sempre eterno.”
*Com informações da Confederação Brasileira de Desportos de Deficientes Visuais (CBDV).
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)













