A nadadora fluminense Lídia Cruz chegou a Singapura com a agenda cheia. Aos 27 anos, ela será a atleta brasileira com mais provas para disputar no Mundial de natação que acontece de 21 a 27 deste mês.
O programa da atleta da classe S4 (comprometimento físico-motor) conta com seis disputas individuais: 50m peito, 100m livre, 150m medley , 50m costas, 50m livre e 200m livre. Além disso, a atleta ainda é presença constante na equipe do revezamento 20 pontos brasileira, que irá competir nas provas dos 4x50m livre e 4x50m medley. Com isso, a nadadora apenas não tem provas programadas para o dia 26 de setembro.
Lídia chega à Singapura após uma campanha com três medalhas de bronze em Paris, nos 150m medley, nos 50m costas e no revezamento 4x50m livre 20 pontos, além de um recorde paralímpico na prova dos 50m livre, obtido nas eliminatórias, que acabou não resultando em uma medalha na final, na qual ela foi desclassificada.
A nadadora contou que o programa extenso é resultado da confiança que sua comissão técnica deposita nela. Nadar várias provas diferentes também a ajuda a estar preparada para ser competitiva em grandes eventos, mesmo quando suas provas favoritas não são disponibilizadas para sua classe.
“Se minha técnica [Gabrielle Avelino] me colocou para nadar todas as provas, eu sei que tenho condições de fazer isso. Ela não me colocaria em certas situações para passar vergonha. Ela está me ensinando a pensar um dia de cada vez. Eu estou me preparando para isso, porque, se pensar em toda a competição, é cansativo só de imaginar. Mas vou cair em cada prova com toda minha força e coragem carregando o Brasil e minha família comigo”, afirmou.
Atualmente destacando-se em provas curtas, Lídia chegará ao Mundial após conseguir reduzir em mais de oito segundos seu melhor tempo de 2025 nos 200m livre na Segunda Etapa Nacional do Circuito Paralímpico Loterias Caixa, no dia 6 de setembro, no Centro de Treinamento Paralímpico.
“No passado, eu preferia as provas longas. Mas tenho uma doença degenerativa e com o tempo passei a sentir dificuldade com minha resistência para nadar distâncias maiores. Depois de Paris, volteia a me dedicar a essas provas mais longas que já foram as principais. Diminuir o tempo nos 200m livre foi muito importante, para mostrar que estou no caminho para chegar a minha melhor forma e à melhor posição possível”, completou.
Paris 2024
Lídia disse que voltar dos Jogos de Paris com suas três medalhas foi gratificante e que o pódio que não veio por conta de sua desclassificação a deixou ainda mais motivada para buscar um resultado ainda melhor.
A atleta inicia a prova do nado livre de dentro da água, com o corpo de lado em relação ao bloco e com os pés encostados na parede. Ela mantém um braço esticado em direção ao bloco, onde está amarrada uma corda de largada segurada por ela e que sustenta seu corpo, enquanto o outro braço apontando em direção à borda oposta. Segundo Lídia, na final dos 50m livre em Paris a arbitragem demorou alguns segundos a mais do que o habitual para iniciar a prova e ela não conseguiu segurar na corda pelo tempo necessário.
Desde então, Lídia fez pequenos ajustes na sua técnica de saída, para largar com o corpo mais submerso e, com isso, diminuir o peso em seu braço. “Adaptei minha técnica com apoio do Departamento de Ciência do Esporte do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) para ter uma saída mais baixa, com o corpo mais submerso na água, para não ter tanto peso sobre meu braço. Assim eu posso segurar mais tempo se for preciso”, explicou a nadadora, que desde 2023 mora em São Paulo e treina no Centro de Treinamento Paralímpico.
“Essa medalha que não veio me deu mais força e vontade para fazer melhor ainda. Essa medalha que não veio me deu mais força e vontade para fazer melhor ainda. Cada ciclo é uma oportunidade para superarmos a nós mesmos”, avaliou.
Lídia nasceu com mielomelingocele, uma má-formação na medula espinhal, e teve paraparesia espástica e distonia segmentar diagnosticadas aos 15 anos, condições que limitam movimentos de braços e pernas.
Brasil em Singapura
A delegação do país conta com 29 nadadores, 16 homens e 13 mulheres, oriundos de sete estados (MG, PA, PE, PR, RJ, SC e SP). São Paulo, com dez convocados, é o estado com o maior número de nadadores.
O grupo é formado pelos 24 nadadores que atingiram índices estipulados pelo CPB em três oportunidades: o Circuito Paralímpico – Fase Seletiva e a Primeira Etapa Nacional do Circuito Paralímpico Loterias Caixa, em São Paulo, no Centro de Treinamento Paralímpico; e o World Series de Guadalajara, no México.
Outros cinco nadadores foram convocados por terem o Índice Mínimo de Qualificação (MQS, nasigla em inglês) do Mundial e também apresentarem as melhores marcas para formar equipes de revezamentos.
A melhor campanha do Brasil na história dos Mundiais de natação paralímpica foi registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, em 2022. O país encerrou a disputa com 53 medalhas, 19 de ouro, 10 de prata e 24 de bronze. Com isso, ficou na terceira colocação do quadro de medalhas do evento, somente atrás de Estados Unidos e Itália.
No último Mundial da modalidade, Manchester 2023, o país subiu 46 vezes ao pódio, conquistando 16 medalhas de ouro, 11 de prata e 19 de bronze. Os pódios deixaram o Brasil na quarta colocação no quadro de medalhas, atrás de Itália, Ucrânia e China, superando a anfitriã Grã-Bretanha em uma disputa acirrada até a última prova da competição.
Desde o primeiro dos Mundiais de natação, em Malta, em 1994, o Brasil já conquistou 296 medalhas, sendo 114 ouros, 73 pratas e 107 bronzes.
Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais de natação.
Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível
A atleta Lídia Vieira da Cruz é integrante do Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias Caixa e da Caixa que beneficia 148 atletas.
Time São Paulo
A atleta Lídia Vieira da Cruz integra o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 154 atletas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)













