O Meeting Paralímpico Loterias Caixa chegou a Belém (PA) neste sábado, 2, com histórias que reforçam o poder do esporte como ferramenta de transformação. A etapa reuniu 141 atletas em dois locais da capital paraense: o Estádio Olímpico do Mangueirão recebeu as provas de atletismo, enquanto as competições de natação e bocha foram realizadas na Tuna Luso Brasileira.
Promovido pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), o evento contou com provas de alto rendimento e também com seletivas estaduais das Paralimpíadas Escolares, Paralimpíadas Universitárias e do projeto Intercentros, voltado a crianças de 7 a 10 anos atendidas pelos Centros de Referência do CPB.
Um dos destaques da natação foi o paraense Wesley Aguiar, da classe S8 (limitações físico-motoras), que brilhou ao conquistar cinco medalhas de ouro nas cinco provas que disputou: 100m livre, 100m costas, 50m livre, 200m medley e 100m peito.
Wesley, 16, voltou a competir após participar, no início de julho, do Camping Escolar Paralímpico no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo — uma experiência de imersão na rotina de atletas de alto rendimento que o motivou ainda mais. “Foram muitos aprendizados, novas amizades, e eu trouxe tudo isso comigo para cá”, contou.
Atleta da Associação Clube Esporte Adaptado em Belém (Aceab), Wesley tem malformação congênita, que afetou o desenvolvimento dos pés e da mão direita. Começou na natação em 2020, em um momento difícil, após a separação dos pais e um quadro de depressão. “Meu sonho mesmo é ser atleta paralímpico. Se Deus quiser, participar da Seleção Brasileira e ajudar minha família. Hoje eu só tenho a agradecer, porque eu era uma pessoa desacreditada. Falaram que eu não tinha potencial de nada nesta vida, e hoje eu estou aqui.”
Na pista, quem também se destacou foi Angelina Oliveira, da classe T11 (deficiência visual), que competiu nos 1.500m, 800m e 400m e comemorou os bons resultados: “Consegui bater os índices para a fase nacional das Paralimpíadas Escolares. Isso é uma motivação a mais para mim. Senti que o trabalho feito com muita dedicação — meu, da minha família e de quem está comigo nos treinos — está dando resultado.”
Angelina, também com 16 anos, começou no atletismo em 2021, incentivada pela professora de educação física Kátia Tadaiesky. Um ano depois, ao assistir a um discurso da velocista potiguar Thalita Simplício durante as seletivas Norte-Nordeste das Paralimpíadas Escolares, em Natal (RN), decidiu se dedicar ao esporte. “Eu me identifiquei muito com a trajetória dela. Achei tudo aquilo muito bonito.”
Aluna do ensino médio da Escola de Aplicação da Universidade Federal do Pará, Angelina precisou adaptar sua rotina para seguir treinando três vezes por semana na rua, com o apoio do guia Reyel Aquino, que percorre 20 km para acompanhá-la. “Eu não queria abrir mão de correr, nem de estudar com qualidade. Então encontrei uma forma de fazer os dois.”
Com retinopatia da prematuridade — condição que afeta a retina de bebês nascidos antes do tempo —, Angelina segue firme em busca de dois grandes objetivos: cursar psicologia em uma universidade pública e se tornar uma atleta paralímpica.
O circuito do Meeting Paralímpico Loterias Caixa continua no próximo sábado, 9, com etapas em Macapá (AP), Maceió (AL) e Brasília (DF). A última edição do ano será realizada no dia 16, em São Paulo, no Centro de Treinamento Paralímpico. Criado em 2021, o projeto visa fomentar o paradesporto em todas as regiões do país, reunindo atletas iniciantes e de elite em um mesmo espaço de competição e convivência.
Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível
A velocista Thalita Simplício integra o Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, que beneficia atualmente 148 atletas por meio de patrocínio individual das Loterias Caixa e da Caixa.
Patrocínios oficiais
As Loterias Caixa, a Caixa, a Braskem e a Asics são patrocinadoras oficiais do atletismo paralímpico.
As Loterias Caixa e a Caixa também patrocinam oficialmente a natação e a bocha.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












