O Brasil não é um país de tradição nos esportes de neve, mas isso não impediu o rondoniense Cristian Ribera, radicado em Jundiaí (SP), de traçar uma meta ousada: ser medalhista paralímpico. A oportunidade de tornar o sonho realidade se aproxima: faltam 22 dias para o início dos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina.
Esta será a terceira participação de Cristian nos Jogos de Inverno. O atleta chega à competição como atual campeão mundial no esqui cross-country, com ouro obtido na prova de 1km, na Noruega, em 2025. Ele também lidera o ranking da Federação Internacional de Esqui e Snowboard (FIS) e recebeu o Globo de Cristal como campeão geral da Copa do Mundo na temporada 2024/2025.
“Sempre fui me preparando para esse momento. De quando escolhi virar atleta até participar dos Jogos, eu decidi que viraria medalhista paralímpico – esse sonho nunca mudou e nunca vai mudar”, disse Cristian.
Em sua primeira participação nos Jogos Paralímpicos de Inverno, em PyeongChang 2018, Cristian fez história: chegou na sexta posição na prova de 15km, melhor marca de um brasileiro em Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno. À época, o atleta tinha apenas 15 anos e foi o mais jovem do Brasil a participar do megaevento.
Apesar da pouca idade quando estreou nos Jogos, Cristian, hoje com 23 anos, já se dedicava à prática esportiva desde os quatro por indicação médica. Também em busca de tratamento para sua condição de nascença, a artrogripose – doença congênita das articulações das extremidades – mudou-se logo cedo com a família de Cerejeiras (RO) para Jundiaí (SP). Até os 11 anos, passou por 21 cirurgias corretivas nas pernas.
Cristian praticou natação, atletismo, bocha, tênis, capoeira, skate e até dança, mas foi em uma ação que buscava atletas em potencial da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), em Jundiaí, que ele teve seu primeiro contato com o esporte que viria a mudar a sua vida e a de sua família.
“Desde o começo eu me destaquei no esporte, consegui me adaptar bem rápido, e tive bons resultados. Eu já tinha um sonho de virar um atleta paralímpico, mas pelos esportes de verão, então veio o esqui e fez isso acontecer”, relatou.
Família
Desde o primeiro contato de Cristian com o esporte na infância, a família esteve presente – e o suporte foi além do incentivo. A irmã caçula do atleta, Eduarda Ribera, ficou intrigada com o interesse de Cristian pelo roller-esqui (adaptação feita para os treinos no asfalto) e foi em busca da modalidade convencional. Hoje, ela compete no time olímpico brasileiro no esqui cross-country e divide com Cristian o mesmo técnico, o irmão Fábio Ribera.
Além dos irmãos diretamente envolvidos nos Jogos, a família Ribera ainda contará com reforço na torcida. Os pais dos atletas vão assistir pela primeira vez aos filhos em ação em uma edição de Jogos de Inverno.
“Sempre dou o meu melhor, mas a meta principal são os Jogos e eu treinei a vida toda pra isso. Estou muito feliz por estar na minha melhor forma física e por chegar como campeão mundial, porque isso dá muita confiança; mesmo sabendo que na competição tudo pode ocorrer, eu quero cruzar a linha de chegada na frente.”
Jogos de Inverno 2026
Os Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 têm início no próximo dia 6 e vão até o dia 15 de março. Esta será a quarta edição do evento com participação brasileira, e o país será representado pela maior delegação até então, com sete atletas.
Além de Cristian, compõem a missão: os paulistas Wellington da Silva, Elena Regina e Guilherme Cruz Rocha, a paranaense Aline Rocha, e o paraibano Robelson Lula – todos também do esqui cross-country, e o gaúcho André Barbieri, do snowboard.
Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível
Os atletas Guilherme Cruz Rocha e Robelson Lula são integrantes do Programa Loterias Caixa Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias Caixa e da Caixa que beneficia 148 atletas.
Time São Paulo
Os atletas Wellington da Silva, Cristian Ribera e Elena Regina integram o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 155 atletas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












