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Estudo do CPB analisa relação entre salto vertical e desempenho nos 100m em atletas do atletismo

Atletas realizam teste de salto no laboratório de Ciência do Esporte no CT Paralímpico, em São Paulo | Foto: Alessandra Cabral/CPB

Um estudo recente conduzido pelo departamento de Ciência do Esporte do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), com atletas do atletismo, investigou a relação entre o desempenho no salto com contramovimento (CMJ) e os resultados nas provas de 100 metros em competições de alto nível.

A pesquisa que teve como primeira autora Ana Gabriela Máximo, analista de desempenho do CPB, contou com a participação de 28 velocistas de elite, incluindo atletas medalhistas em competições internacionais, avaliados ao longo de eventos realizados entre 2023 e 2024.

As coletas foram realizadas em momentos estratégicos da temporada, próximos às principais competições, como Jogos Parapan-americanos de Santiago 2023, Campeonatos Mundias de Paris 2023 e Kobe 2024 e Jogos Paralímpicos de Paris 2024.

Os resultados indicaram uma relação moderada entre a altura do salto e o desempenho na corrida, sugerindo que atletas com maior capacidade de produção de força e potência não, necessariamente, tendem a apresentar melhores tempos na prova. Essa associação foi mais evidente em determinados contextos competitivos e em grupos específicos, como atletas do sexo masculino e em classes com deficiência visual.

Desempenho é multifatorial

Com essas constatações, o estudo reforça que o desempenho nos 100 metros não depende de um único fator. Aspectos técnicos — como a mecânica da corrida —, além de características funcionais dos atletas e especificidades de cada classe esportiva também influenciam diretamente nos resultados.

“Ainda é bastante comum a utilização da altura do salto vertical como um preditor do desempenho nessa prova. Acredita-se que o atleta que tem a maior altura de salto, irá ter um bom desempenho. Isso é exatamente o que questionamos. O desempenho na corrida de 100m, por exemplo, não deve ser simplificado à apenas um salto vertical, como percebemos muitas vezes na prática. Muitas outras variáveis devem ser consideradas para isso”, completa o coordenador do estudo e do departamento de Ciência do Esporte, Thiago Lourenço.

De acordo com o estudo, o período do ano em que o atleta se encontra, a importância da competição, além de aspectos técnicos são fundamentais para o sucesso de provas de velocidade, como os 100m. O salto vertical pode ser utilizado como uma ferramenta prática e acessível para o monitoramento da potência muscular ao longo da temporada.

Sua aplicação deveria ser feita de forma integrada a outras avaliações, evitando interpretações isoladas, e os autores do estudo destacaram que o salto com contramovimento era uma ferramenta útil no contexto do treinamento, mas que sua interpretação deveria considerar a complexidade do desempenho no sprint e as particularidades do esporte paralímpico.

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