As novas gerações do esporte paralímpico surgem como promessa de continuidade e renovação para o Brasil, país que se consolidou como uma das maiores potências do mundo na modalidade.
A melhor campanha da história brasileira em Jogos Paralímpicos aconteceu no ano passado, em Paris, quando o país conquistou 89 medalhas e encerrou sua participação em quinto lugar no quadro geral.
Logo após o fim da competição, teve início um novo ciclo de preparação. O trabalho se voltou ao desenvolvimento de jovens atletas com potencial para sustentar o protagonismo internacional, como a paulista Alessandra Oliveira, atleta mais jovem da delegação que representa o Brasil no Mundial de natação, em Singapura, que vai até o próximo domingo, 27.
O Dia Nacional do Atleta Paralímpico, celebrado em 22 de setembro, reconhece não apenas os feitos de veteranos consagrados, mas também a trajetória dos novos talentos. A data reforça a importância do esporte como ferramenta de inclusão e transformação social.
Um desses talentos é o paulista João Pedro Dantas Santos, 18, que perdeu totalmente a visão no fim de 2018. No ano seguinte, incentivado por uma fisioterapeuta, conheceu o esporte paralímpico e passou a treinar na Escola Paralímpica de Esportes do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), projeto gratuito que oferece iniciação em até 15 modalidades para crianças e adolescentes.
“Logo que comecei, já gostei muito. Me levaram para fazer de tudo: dardo, disco, peso, correr, saltar. E me disseram: ‘Você tem futuro’”, relembrou.
Apaixonado pelo atletismo, João se dedicou às provas de velocidade (100m) e salto em distância na classe T11 (deficiência visual). Seu caminho incluiu desde as Paralimpíadas Escolares — maior evento mundial para crianças com deficiência em idade escolar — até disputas de alto nível, como o Campeonato Brasileiro Loterias Caixa, que reúne medalhistas paralímpicos e jovens promessas do país.
Entre suas experiências, ele destaca a participação na Gymnasiade, Olimpíada Internacional do Desporto Escolar realizada no Bahrein, em outubro de 2024. “Cheguei aqui só pra ver como era o esporte e quatro, cinco anos depois eu estava do outro lado do mundo, vivendo coisas que eu nunca tinha imaginado viver.”
Do projeto à campeã mundial
Na mesma delegação que foi ao Gymnasiade estava a paulista Alessandra Oliveira, classe S4 (limitações físico-motoras), também revelada pela Escola Paralímpica de Esportes do CPB. Ao contrário de João, a nadadora já acumula experiência internacional. Com apenas 17 anos, a paulista é integrante da Seleção Brasileira de natação e já escreveu seu nome na história do paradesporto.
No último domingo, 21, a atleta subiu ao lugar mais alto do pódio no Mundial de natação de Singapura, ao vencer os 100m peito da classe SB4 e quebrar o recorde mundial da prova.
“Tenho amadurecido bastante durante todos os anos participando da Escolinha, transição e do programa do CPB de alto rendimento. Agora, viso o ciclo de Los Angeles 2028 com grandes expectativas, de verdade. Eu sei que o caminho da Escolinha para o alto rendimento não foi fácil, e agora quero mostrar pro mundo que a Escolinha funciona”, disse a atleta.
Identificação de talentos
Projetos de iniciação esportiva do CPB, como a Escola Paralímpica de Esportes e os Centros de Referência — que utilizam estruturas esportivas em diversas regiões do país — oferecem a crianças e jovens a oportunidade de vivenciar diferentes modalidades. É nesse ambiente que talentos como João e Alessandra são descobertos.
Segundo o professor Diego Wittner, da Escola Paralímpica, o processo depende muito do engajamento individual. “Cada criança tem um desenvolvimento próprio. Estimulamos a prática em várias modalidades, e esse estímulo gera aprendizado. A criança acaba gostando e se identificando. E nós [professores] conseguimos reconhecer isso.”
À medida que evoluem (fisicamente, mentalmente e tecnicamente), os jovens passam a competir em torneios locais, depois nacionais, até ingressarem em eventos internacionais. Essa trajetória marca a transição para o alto rendimento, momento em que os treinos se tornam cada vez mais específicos e exigentes, preparando-os para integrar a elite do esporte paralímpico que representa o Brasil nas maiores competições do planeta.
Patrocínio
A Braskem e a Asics são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação e do atletismo.
Time São Paulo
A atleta Alessandra Oliveira integra o Time São Paulo, parceria entre o CPB e a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, que beneficia 154 atletas.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)













