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Valledupar 2026: nadadora que descobriu o esporte paralímpico pelo TikTok estreia com ouro na competição

Letícia Mulling competindo nos Jogos Parasul-Americanos de 2026 em Valledupar, na Colômbia. | Foto: Alessandra Cabral/CPB

A nadadora paranaense Letícia Mulling, 22, estreou neste sábado, 11, nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026, na Colômbia, com uma medalha de ouro na prova dos 100m peito para a classe SB12, para atletas com baixa visão. Este foi o primeiro pódio internacional da carreira da atleta.

“Foi muito bom estrear com este resultado. Consegui nadar bem do jeito que eu esperava, com meu melhor desempenho da vida nesta prova, que é a minha favorita. Saio muito feliz! É muito especial ter uma medalha internacional, um marco na minha carreira, foi muito gratificante”, comemorou a nadadora.

A história da nadadora com a piscina começa logo na primeira infância e segue por toda a adolescência. Porém, a descoberta do Movimento Paralímpico aconteceu apenas durante a pandemia de Covid-19, por meio das redes sociais.

“Eu gostava de postar conteúdo nas redes sociais e conheci a natação paralímpica por meio de uma nadadora e influenciadora no TikTok, a norte-americana Anastasia Pagonis, atleta da classe S11 (cegos), que fala sobre a inclusão de pessoas com deficiência visual e sobre sua rotina de treinos. Até então, eu nem sabia o que era o tapper [instrumento utilizado para auxiliar a virada de nadadores com deficiência visual]. Vendo o dia a dia dela, pensei ‘eu gostaria de fazer isso também’”, lembrou.

Não foi apenas a atleta estrangeira que influenciou Letícia por meio das redes sociais. Logo a paranaense se tornou seguidora da pernambucana Carol Santiago, da mesma classe que ela e maior campeã paralímpica feminina da história do Brasil.

“Eu me inspiro muito na dedicação dela como atleta. Logo que comecei, foi a Carol que foi minha referência. Vi muito conteúdo dela nas redes sociais. É uma brasileira e conquistou uma série de medalhas e recordes, então eu também posso buscar isso”, afirmou.

Letícia buscou um clube em sua cidade e ampliou a rotina de atividades na piscina sob a orientação do treinador Jean Rechetelo. “Ele foi me inserindo nesse mundo e me mostrou como evoluir de verdade. Mudei minha visão da natação como hobby para a do esporte como profissão”, disse.

Em 2025, a nadadora decidiu pausar o curso de Psicologia que cursava na Universidade Federal do Paraná e se mudou para São Paulo para treinar no Centro de Treinamento Paralímpico, onde recebe orientação do técnico Léo Leis.

“Considerando a evolução que eu vinha obtendo na natação e minha vontade de treinar mais, não foi uma decisão tão difícil. Eu vim com meu noivo, que também é atleta. Nós nos ajudamos muito durante este período. Acredito que foi uma mudança muito positiva, consegui melhorar muito minha técnica e nadar com mais segurança. Agora quero retomar os estudos, mesmo com a rotina de treinos intensa”, contou.

Jogos Parasul-Americanos
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 com 237 atletas de 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo), dois goleiros (futebol de cegos) e dois calheiros (bocha).

Este é o primeiro evento multiesportivo com a participação brasileira dentro do ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos. Na edição anterior dos Jogos, o país ficou com um histórico quinto lugar no quadro geral de medalhas, após conquistar 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes.

O Brasil participa do evento com uma delegação formada por atletas de 26 estados e do Distrito Federal, que reúne experiência e juventude, com 131 homens e 106 mulheres.

Por outro lado, são 50 atletas que já conquistaram medalhas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em edições dos Jogos Paralímpicos entre os convocados para competir na Colômbia. Por outro, o grupo conta com 80 atletas que terão no máximo 23 anos na data de início da competição.

Os primeiros Jogos Parasul-Americanos foram realizados em 2014, em Santiago, no Chile. Mais de 580 atletas de oito países competiram em sete modalidades. Na ocasião, o Brasil terminou em segundo no quadro geral de medalhas, com 104 pódios conquistados, atrás apenas da Argentina.

Uma segunda edição do evento chegou a ser prevista para 2018 em Buenos Aires, na Argentina, mas foi cancelada por questões financeiras.

Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação.

Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível
A atleta Letícia Mulling é integrante do Programa Loterias CAIXA Atletas de Alto Nível, programa de patrocínio individual da Loterias CAIXA e da CAIXA que beneficia 141 atletas.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)

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