Enquanto compete nos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026, a nadadora Camila Teixeira Dias, 16, tem em mente dois tipos de prova: as da natação e as do Ensino Médio.
A atleta estreou nas piscinas da Colômbia neste domingo, 12, com uma medalha de prata nos 400m livre para a classe S8 (comprometimento físico-motor), em prova que teve como vencedora uma veterana da Seleção Brasileira, a potiguar Cecília Araújo, medalhista de prata nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024 nos 50m livre. Em paralelo, a jovem de 16 anos segue atenta às tarefas da escola, que acessa por meio de um aplicativo.
“Não é tão fácil conciliar as duas coisas, mas não é impossível. Eu estudo daqui da Colômbia a partir do aplicativo da minha escola. Faço atividades de todas as matérias, muitas vezes com data para entregar e valendo nota”, contou a atleta, que gosta de Química e tem interesse em estudar Farmácia ou Fisioterapia na faculdade.
Camila tem paraparesia espástica, condição que limita os movimentos de suas pernas. Começou a nadar na primeira infância na Obra Social Dona Meca, uma instituição de reabilitação carioca, com o objetivo de melhorar sua coordenação e qualidade respiratória. Ela se tornou atleta do Vasco aos 11 anos, após fazer um teste por sugestão de uma amiga de sua mãe.
No ano passado, a moradora de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, trocou de escola para estudar em São Cristóvão, bairro onde treina pelo Vasco, para que os treinos e estudos coubessem na agenda. Ela conta que acorda diariamente às 5h e muitas vezes termina as lições de casa após as 22h.
“Estudei por dois anos em uma escola longe do clube. Agora tudo ficou mais fácil de conciliar. Estudo de manhã e depois passo o resto do dia nos treinos”, explicou.
Camila, que já esteve em etapas de World Series, circuito internacional de natação que passa por várias cidades ao longo do ano, disse que os Jogos Parasul-Americanos são sua principal competição até o momento.
“Fiquei muito feliz com esta medalha. É uma conquista muito grande. Estou muito feliz com tudo o que está acontecendo. Só espero que venham mais missões e medalhas. Vou treinar cada vez mais para isso”, comemorou a atleta.
Jogos Parasul-Americanos
O Brasil participa dos Jogos Parasul-Americanos de Valledupar 2026 com 237 atletas de 13 modalidades, além de quatro atletas-guia (atletismo), quatro pilotos (ciclismo), dois goleiros (futebol de cegos) e dois calheiros (bocha).
Este é o primeiro evento multiesportivo com a participação brasileira dentro do ciclo dos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, nos Estados Unidos. Na edição anterior dos Jogos, o país ficou com um histórico quinto lugar no quadro geral de medalhas, após conquistar 25 ouros, 25 pratas e 38 bronzes.
O Brasil participa do evento com uma delegação formada por atletas de 26 estados e do Distrito Federal, que reúne experiência e juventude, com 131 homens e 106 mulheres.
Por outro lado, são 50 atletas que já conquistaram medalhas em Mundiais e 48 que já subiram ao pódio em edições dos Jogos Paralímpicos entre os convocados para competir na Colômbia.
O grupo conta com 80 atletas com no máximo 23 anos na data de início da competição.
Os primeiros Jogos Parasul-Americanos foram realizados em 2014, em Santiago, no Chile. Mais de 580 atletas de oito países competiram em sete modalidades. Na ocasião, o Brasil terminou em segundo no quadro geral de medalhas, com 104 pódios conquistados, atrás apenas da Argentina.
Uma segunda edição do evento chegou a ser prevista para 2018 em Buenos Aires, na Argentina, mas foi cancelada por questões financeiras.
Patrocínio
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)












