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“Memória Paralímpica” no Congresso Paradesportivo debate evolução do CPB

Por CPB
Sáb, 03 Nov 2018 07:00:00 -0200
Daniel Zappe / CPB / MPIX Imagem

Uma das primeiras mesas redonda da sexta edição do Congresso Paradesportivo Internacional, realizado no Centro de Treinamento Paralímpico, desde a quinta-feira, dia 1º, até o domingo, 4, trouxe três personagens importantes da história do movimento paralímpico nacional e contou com a presença do professor Antônio Menescal, do ex-servidor do governo federal Rivaldo Araújo da Silva e do primeiro presidente eleito do Comitê Paralímpico Brasileiro, João Batista Carvalho e Silva. 

“Nós fizemos a conta mais cedo e chegamos a conclusão que juntos temos mais de 200 anos de história do movimento paralímpico brasileiro”, afirmou Menescal, no início de sua apresentação ao público presente na mesa redonda, arrancando gargalhadas e quebrando o gelo com a plateia. 

Menescal foi professor do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, diretor técnico e secretário geral do CPB na década de 1990, diretor técnico da IBSA (sigla em inglês para federação internacional de desporto para cegos), chefe da delegação brasileira nos Jogos Paralímpicos de Barcelona 1992 e diretor técnico da delegação brasileira Seul 88.

Atualmente, dedica-se, em parceria com o filho, João Antônio Menescal, a concluir um livro intitulado “Memória Paralímpica“, que trará o relato histórico do movimento paralímpico internacional , contextualizando desde a Revolução Industrial no Século XVIII. 

“A construção da memória é um processo vivo, democrático, participativo, contínuo e ininterrupto. A memória não exclui propositalmente personagem, instituição ou fato, não tem viés dos personalismos, dos interesses ou das conveniências políticas do momento. Ao contrário do relato histórico, que possui uma verdade única, a memória pode ter versões com base em vivências pessoais”, explicou Menescal em sua apresentação.

João Batista trouxe ao Congresso Paradesportivo uma linha do tempo da sua gestão à frente do Comitê Paralímpico Brasileiro, após a fundação da entidade, em fevereiro de 1995, e a conjuntura histórica que o levou até o cargo. Ele atua no seguimento de luta pelos direitos da pessoa com deficiência desde 1981, ao lado da mulher, a médica e ex-deputada estadual no Rio de Janeiro, Tânia Rodrigues, que contraiu poliomielite aos 3 anos de idade. 

João foi o responsável pelos Jogos Paralímpicos Brasileiros, em 1996, conseguiu o apoio do então ministro Especial de Esporte, Pelé, e comandou a delegação nacional em duas edições de Jogos Paralímpicos, em Atlanta 1996, quando o Brasil conquistou 21 medalhas, e Sydney 2000, onde subimos ao pódio em 22 oportunidades. Tudo isso, num período anterior à implementação da Lei Agnelo Piva, que destina 1% da arrecadação das loterias federais ao Comitê Paralímpico Brasileiro.

“Levar uma delegação brasileira aos Jogos Paralímpicos, nós conseguimos fazer, mas fazer da participação dos nossos atletas um evento pra mexer com a estrutura do esporte e da socidade era o nosso desafio. Nós conseguimos, com um trabalho bem alicerçado no planejamento e com ampla estratégia de comunicação. Foi o começo de uma caminhada que levou o CPB ao patamar em que se encontra atualmente”, explicou João Batista, que também prepara um livro sobre o período em que presidiu o Comitê Paralímpico Brasileiro.

A apresentação de Rivaldo encerrou a mesa redonda, com um tema complementar ao trazido por Menescal e João. No Congresso Paradesportivo Internacional, Rivaldo substituiu ao professor Vanilton Senatore, que morreu em 26 de setembro deste ano, aos 71 anos, vítima de um enfarto. Os dois eram muito amigos e trabalharam juntos na Secretaria de Desportos da Presidência da República durante os anos do governo de Fernando Collor de Melo, no início da década 1990, no departamento de esporte para pessoas com deficiência. Rivaldo foi peça importante na consolidação de políticas públicas de garantia de direitos aos atletas paralímpicos. 

“Batalhamos muito para que fosse reconhecido o esporte para pessoas com deficiência, para que houvesse um tratamento isonômico, porque ninguém queria levar a sério a prática desportiva neste segmento. Para você ter uma ideia, em uma mesma competição, os atletas olímpicos ficavam em hotéis e nós, dos paralímpicos, dormíamos debaixo da arquibancada do estádio, ou nos alimentávamos com marmita fornecida pela organização do evento. Foram anos para mudar a percepção das pessoas quanto a importância de investir no paralímpico. E acredito que conseguimos grandes resultados”, afirmou. 

O evento, um dos maiores sobre inovações científicas e tecnológicas no paradesporto, conta com mais de 1.700 inscritos conta com 29 atrações até o dia 4 de novembro, divididos entre minicursos, mesas redondas, bate-papo com especialistas e conferências, além de 235 projetos científicos inscritos. O Congresso é organizado pela Academia Paralímpica Brasileira (APB), braço educativo do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

Para conferir a programação completa, acesse o site oficial do Congresso: http://www.cpb.org.br/congressoparadesportivo/

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)